Eu quero que você volte. Olha, eu esqueço da falta de tato e das meias jogadas pelo chão. Eu esqueço das madrugadas sozinha que passei e das madrugadas acompanhadas por outras mãos que não foram as suas. Olha, a gente ainda tem muito tempo. Eu ainda consigo retomar os planos, eu ainda consigo tremer as pernas e sentir o estômago revirar por conta da sua risada. A verdade é que o tempo me fez bem, meu amor. Me fiz pensar todos dias como seria a sua volta. Me fiz esperar todas as rosas que você não mandou. Todas aquelas rosas que detesto, mas adoraria que você tivesse mandado numa tarde de quinta. Eu ainda espero. Por você e pelas rosas.
Essa vida, meu amor, essa vida é uma fraude. Uma grande fraude disfarçada de pequenos bons momentos e risos. Uma grande verdade inventada por quem ainda tem um pouco de esperança de que tudo vai melhorar. E não melhora, porque, meu bem, a graça de fazer a gente se quietar num canto e observar o passar do tempo com olhos de lamento é que alimenta essa tal vida. O teu olhar tristonho e preocupado que pega o teto do quarto à uma da manhã de uma terça qualquer apenas contrasta com a falta de esperança diária. É, amor, vida não há mais.
(Source: mylifeassierah)
Eu me apaixonei por você quando te vi atravessar a rua, quando vi o bloco passar e quando perdi o apresso por andar no sol escaldante nas ladeiras de Santa Teresa. O seu frevo-sorriso, o seu olhar confete e seu abraço bloco fizeram da minha pré-quarta-feira menos cinza. O seu desfile de elogios e beijo refrão me tiraram qualquer adereço de bom senso, qualquer vontade de sambar e de ir embora pro barracão. Você, sendo você mesmo, com todos os quesitos errados e vacilando na apuração. Mas eu estava ali, eu era rainha. De todas as notas que hoje me matam de saudade, a sua cara de palhaço e o meu rodar bailarina é o que me rende lamentações intermináveis frente à passarela. Você foi enredo, meu bem. Mas foi pro segundo grupo (e com razão).
A sua mania incrível de se fazer presente em detalhes abissais dessa minha rotina incessante é que não me deixa prosseguir. Já não posso atravessar a rua, já não consigo abrir correspondências que qualquer lembrança sua me tira o fôlego e me fomenta a alta. Faz tempo, amor. Faz um tempo danado que todos os planos que fiz se foram, faz tempo demais desde que estabeleci tréguas emocionais com o intuito de te esquecer. Eu quero trégua, eu quero pra sempre.